Espelho no teto
Apartamento super luxo
Zona de perigo
Libera a fantasia
Corpos entrelaçados
Coxas entre coxas
Braços se acariciando
Boca na boca
Mão na mão
Encaixe perfeito
Prazer mútuo
Deitados
Ou não
Gozo
"Flores envenenadas na jarra. Roxas azuis, encarnadas, atapetam o ar. Que riqueza de hospital. Nunca vi mais belas e mais perigosas. É assim então o teu segredo. Teu segredo é tão parecido contigo. Que nada me revela além do que já sei. E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu. Assim como tu és o meu". Clarice Lispector
O dia do descanso
Descansar em um ambiente calmo, silencioso e fresco.
Deitar o corpo assistindo ao filme escolhido.
O avesso
Concentra-se em extravasar a energia acumulada; pôr para fora os sentimentos loucos, aprisionados por motivos relevantes ou não.
Sair com os amigos do fim da noite ao início do dia.
Água na cintura
Pertences completamente estragados
Cadê a criança com o desmoronamento da casa?
Ouve-se um gemido
Os bombeiros apressam-se nas buscas
O temporal não cessa
Não há abrigo para dormir
O nível da água não para de subir
Entre escombros encontram uma criança viva.
Cansaço recompensa-se com a alegria.
Dói não tê-la mais por perto. Havia me esquecido de como é difícil dizer adeus. Olhar para o quintal de casa e não vê-la regando as flores, que tanto adorava. Seu amor a elas era visível por todos. Palavras não são capazes de expressar a dor sentida na madrugada de sábado. Estava vendo tv na maternidade às 04:30 na recepção quando meu celular tocou. Em princípio, estranhei, ainda mais, ao ver quem era: minha mãe. Disse, rapidamente, que vovó estava muito mal e não haviam conseguido carro para levá-la ao médico. Na hora, fui ao administrador pedir que liberasse a ambulância para buscá-la. Ele, prontamente, atendeu e foi chamar o motorista, que não demorou ao sair de lá comigo. Graças a deus, minha consciência segue tranqüila, pois fiz o possível para que fosse atendida no posto de saúde. Por sorte estava na Maternidade consegui a ambulância para prestar-lhe socorro, mas ao chegar ao posto, o médico a examinou e infelizmente vovó Maria estava morta. Havia acabado de fazer o boletim de atendimento e fui levá-lo. Quando pai e tio Luis chorando vieram dizendo que não teve jeito. Não pude controlar a emoção. Lágrimas rolaram desesperadamente pelo rosto. A morte não é aceita facilmente por ninguém. Meu pai e tios sofreram de quase passar mal. Acreditávamos que teria jeito. Que ela não se despediria de nós naquela noite. Mas o inevitável aconteceu e, com dor no coração, ainda tive que resolver os trâmites do enterro. Já não tenho mais avós. Agora, lembro-me com saudades daqueles olhos azuis cor do céu, aquele corpo em movimento de pele branca como a neve, que me pegava pelo braço e dizia: minha netinha querida como você está gorda. Vovó já não enxergava mais aos 88 anos, apenas sentia o meu braço gordinho e pela voz me reconhecia. O dia se arrastou assim como o sofrimento. Ás 16:00 começa o velório de vovó com flores ao redor e coberta de véu. Novamente lágrimas vêem. Lembrei-me dos momentos felizes, tristes, da comidinha gostosa e besteiras que sempre me dava, muitas vezes escondido da mãe. Não há como controlar o adeus é definitivo. Permanecerá apenas em meu coração. Que saudade!