domingo, 7 de março de 2010

Espelho no teto

Apartamento super luxo

Zona de perigo

Libera a fantasia

Corpos entrelaçados

Coxas entre coxas

Braços se acariciando

Boca na boca

Mão na mão

Encaixe perfeito

Prazer mútuo

Deitados

Ou não

Gozo

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Aguardo ansiosamente a sua chegada
O momento em que irá tocar meu corpo
Como quem toca um violino afinado
E caminharemos juntos rumo à mesma sinfonia

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O dia do descanso

Descansar em um ambiente calmo, silencioso e fresco.

Deitar o corpo assistindo ao filme escolhido.


O avesso

Concentra-se em extravasar a energia acumulada; pôr para fora os sentimentos loucos, aprisionados por motivos relevantes ou não.

Sair com os amigos do fim da noite ao início do dia.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Água na cintura

Pertences completamente estragados

Cadê a criança com o desmoronamento da casa?

Ouve-se um gemido

Os bombeiros apressam-se nas buscas

O temporal não cessa

Não há abrigo para dormir

O nível da água não para de subir

Entre escombros encontram uma criança viva.

Cansaço recompensa-se com a alegria.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Meu corpo grita pela presença

de algo que nunca foi realmente dele


Não se conforma

Com a ausência mal consentida

Com o telefonema não atendido

Com a mensagem não recebida


A indiferença bem resolvida no dia-a-dia.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

"Eu só quero respirar
Fundo, bem fundo
Sem sentir teu cheiro em mim
Sem te sentir parte de mim".

domingo, 20 de dezembro de 2009

Avó – (17/10/2009)

Dói não tê-la mais por perto. Havia me esquecido de como é difícil dizer adeus. Olhar para o quintal de casa e não vê-la regando as flores, que tanto adorava. Seu amor a elas era visível por todos. Palavras não são capazes de expressar a dor sentida na madrugada de sábado. Estava vendo tv na maternidade às 04:30 na recepção quando meu celular tocou. Em princípio, estranhei, ainda mais, ao ver quem era: minha mãe. Disse, rapidamente, que vovó estava muito mal e não haviam conseguido carro para levá-la ao médico. Na hora, fui ao administrador pedir que liberasse a ambulância para buscá-la. Ele, prontamente, atendeu e foi chamar o motorista, que não demorou ao sair de lá comigo. Graças a deus, minha consciência segue tranqüila, pois fiz o possível para que fosse atendida no posto de saúde. Por sorte estava na Maternidade consegui a ambulância para prestar-lhe socorro, mas ao chegar ao posto, o médico a examinou e infelizmente vovó Maria estava morta. Havia acabado de fazer o boletim de atendimento e fui levá-lo. Quando pai e tio Luis chorando vieram dizendo que não teve jeito. Não pude controlar a emoção. Lágrimas rolaram desesperadamente pelo rosto. A morte não é aceita facilmente por ninguém. Meu pai e tios sofreram de quase passar mal. Acreditávamos que teria jeito. Que ela não se despediria de nós naquela noite. Mas o inevitável aconteceu e, com dor no coração, ainda tive que resolver os trâmites do enterro. Já não tenho mais avós. Agora, lembro-me com saudades daqueles olhos azuis cor do céu, aquele corpo em movimento de pele branca como a neve, que me pegava pelo braço e dizia: minha netinha querida como você está gorda. Vovó já não enxergava mais aos 88 anos, apenas sentia o meu braço gordinho e pela voz me reconhecia. O dia se arrastou assim como o sofrimento. Ás 16:00 começa o velório de vovó com flores ao redor e coberta de véu. Novamente lágrimas vêem. Lembrei-me dos momentos felizes, tristes, da comidinha gostosa e besteiras que sempre me dava, muitas vezes escondido da mãe. Não há como controlar o adeus é definitivo. Permanecerá apenas em meu coração. Que saudade!