terça-feira, 22 de setembro de 2009

O tempo

O tempo cura tudo, o tempo faz esquecer, tudo digere, tudo gasta. Atreve-se o tempo sustentar as rochas, mas também a decompor corações dilacerados. São instabilidades da vida que insere o ser humano em linhas curvas, fazendo do caminhar um labirinto constante. De todos os instrumentos utilizados o coração permanece insistentemente contra. O tempo trabalha a finco, descobrindo os defeitos, enfastia-lhe o gosto, tira a novidade das coisas. De amor robusto chega a ser velho. As asas do amor crescem, abrem-se os olhos, voa e foge. Nada lhe fere mais.

domingo, 6 de setembro de 2009

As certezas do cotidiano

Se hoje alguém perguntasse a ela, o que você quer? Certamente, diria: ter as certezas necessárias para minha vida. De que vou acordar amanhã quentinha depois de um dia frio embaixo do edredom. De que todos da família estão bem. Sem esquecer os amigos e pessoas queridas. De que o mundo amanhã será bem melhor do que hoje, sem violência, doenças, intrigas, etc. Enfim, certeza de tudo que nunca se tem certeza. Por mais pleonástico que isso possa representar. É assim mesmo, o indivíduo é conflituoso por natureza: adora aventura, mas também não consegue respirar aliviadamente sem alguma certeza. Seja um aumento no salário. A chegada do marido depois do trabalho. Ter o que comer no final do dia. Enfim as certezas do dia-a-dia, que se conectam ao nosso subconsciente automaticamente.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

De repente além de amizade

Abre a porta da sala. E com toda vontade a convida para sair. Ela aceita, queria mesmo. Os dois saem de carro rumo à casa de uma amiga. No caminho, entre papos, ele fez-lhe entender que gostaria de algo mais que amizade. Ela fingiu não entender ; demonstrou-lhe insegurança. Ele reafirmou suas intenções. Ela teve certeza. Chegaram ao destino. Vamos, ela disse. Espere, ele suspirou. Sim, respondeu. É...balbuciou, timidamente: eu estou a fim de você faz um tempão. O rosto dela corou-se instantaneamente. O coração disparou e o nervosismo foi impossível não transparecer. E eu sei que você também quer, completou ele. Aconteceu. A amizade evoluiu. Eles se beijaram. Curtiram-se bastante com aval positivo de ambas partes para um novo encontro. Ela só não sabe como olhará para ele novamente depois de tê-lo beijado.

sábado, 15 de agosto de 2009

Visão de águia

Sinceramente, pensei que seria mais difícil reagir. Que não teria forças para suportar. Que o quarto escuro seria o meu lugar. De fato, não compreendo de onde vieram a força, a maturidade, a coragem. Não sei. Mas a elas me agarro neste momento em que minha retina avermelhada já não tem lágrimas a derramar. Talvez eu também não queira; talvez o motivo não mereça; talvez já tenha chorado todas, restando-me apenas o consolo. Resolvi lutar contra tudo que me faça sofrer, por mais necessário e imenso lugar ocupem no coração. Em um só coração não tem relevância. Querer por dois é dar vazão a solidão e a ilusão que só atormentam a alma. Ferem igual a dor física. Mesmo sabendo disso sempre pensei que poderia virar o jogo aos quarenta e três do segundo tempo. Nada. Os passos formaram longos caminhos em lugares nenhum. O querer do outro sobressaiu e aqui estou forte como uma pedreira por fora e feito Maria mole por dentro. Em meio a mais um não busquei razão para um definitivo. Você disse e eu aceitei. Questionar já não é mais o caminho, tentar viver sim. Existia antes de você porque não posso continuar a humilde caminhada entre erros e acertos. Estar longe nunca foi fácil, mas talvez uma ausência definitiva sem ilusão de uma temporária presença, seja melhor. Menos doloroso. Menos covarde. Já não é mais momento para sofrimento; vou erguer a cabeça e visualizar o horizonte assim como a águia.

domingo, 19 de julho de 2009

Renascer


Nunca em triste canto rendi-me ao pranto

Nos intervalos vagos da minha evasiva memória

Que suscita lascivas ilusões antes ignoradas


Seduziu-me num instante

Fragilidade existente por amá-lo

Um passo curto em retirada

Escapo virando a esquina


Buscando uma nova visão

De encontro ao dissabor da solidão

terça-feira, 30 de junho de 2009

...

Parar de escrever no diário

Cujas páginas são quentes como fogo nascente

Fazendo as mãos que o toca ascender

Desejos imaginativos para lá de secretos.

domingo, 7 de junho de 2009

Nada tem graça aqui

Faz frio na sala vazia da minha vida

A cabeça pesa sobre o pescoço

Não suporto a dor

Tenho fome de sair daqui

A solitária mulher quer gritar bem alto

Fazer barulho

Ouçam-me, por favor

Acho que estou fora de mim

Dentro de ti

Confusa como sempre

Mas te querendo cada vez mais

Não posso

Quero

Não posso

Te espero

Tento fugir de mim

Encontro você

E tudo que ouço é não

Abra a porta, por favor

Preciso ser feliz