
Dor que desatina sem doer, como dizia Camões, ele bem me compreendia. Espero que não seja o único. Explicar as incompletudes do viver, do sentir, do existir. Esse amor que arde sem que ninguém veja, faz doer tanto; lateja, corrói, machuca. Não sei como lidar com isso. Talvez escrever seja a melhor forma para extravasar. Felicidade e tristeza caminham juntas em mim. Que contradição! Não pense que é neurose da minha cabeça, pois não é. Ou que leio muita literatura contemporânea e estou a viajar pela fragmentação do sujeito pós-moderno. Leio sim, um bocado, mas não a ponto de não ter certeza do que sinto. Muito pelo contrário, por meio dessas leituras, tenho compreendido mais as minhas ações, os meus queres, meus pensamentos. Não adianta fingir que não sou várias em uma só, nem mesmo negar minhas vontades perante uma sociedade hipócrita, que vive da aparência. Sou o que sou. Quem não gosta, paciência. Não pretendo mudar, por ninguém. Vontade não tenho de casar, ter filhos então. Penso que pôr alguém neste mundo violento precisa-se de coragem. E para isso, não tenho. Corajosa sou para andar de montanha russa, medo de altura nem em sonho. Enfim medo, para mim, é quase insignificante. De perder alguém querido, que eu me lembre só. De resto me aventuro sem pensar e, gosto, gosto demais. Tanto que me excita, transforma tudo em gostinho especial. Enquanto isso, vou vivendo minha vida, cercada de incertezas, incompletudes, inseguranças, mas feliz por cada dia mais aprender a conviver com essas várias Harianes, existentes em mim.