sábado, 31 de janeiro de 2009

O menino que calculava


Desde pequeno, desde que começara a falar, Cláudio demonstrara uma estranha peculiaridade. Cláudio sabia contar. Sua primeira palavra não foi “mama” ou “papa”. Foi: dois. Um mês depois, o garoto estava a somar objetos. No colo da mãe, a cada passo pela casa, o garoto contava. Um, dois, três, quatro: quatro.


Os pais não acreditaram, atônitos, se entreolharam.


- Mas a gente nunca o ensinou a contar, resmungou o pai.


- Ele ainda nem largou as fraldas e já sabe contar, disse a mãe.


− Mama, disse o bebê, em pé no berço. A mãe, rapidamente, chegou, trazendo consigo o que carregava na mão: uma colher de pau, uma faca de serra e um prato. Olhando para mãe disse: três, e apontava com os dedos.


Foi então, que mãe resolveu testar as habilidades de contar do bebê. Reunindo os brinquedos, ela os mostrava um a um e o menino contava naturalmente.


Na escola, era o primeiro da classe em matemática. Fazia contas, resolvia equações e problemas como ninguém. Os professores se surpreendiam. Em dias de prova de matemática, Cláudio era posto, separadamente, para evitar cola da rapaziada.


Com o tempo e pratica, Cláudio foi enriquecendo seu aprendizado numérico. Bastava dar-lhe uma soma ou conta qualquer, não muito tempo depois, o garoto respondia.


Para a primeira namorada, mostrava todo radiante, troféus ganhados em concursos de matemática.


Em uma tarde chuvosa, estavam Cláudio e a namorada em casa, assistindo a um filme na TV, quando um primo chegou, a fim de que resolvesse uns exercícios, valendo nota para a escola. Prontamente, o rapaz levantou-se do sofá. A namorada, vendo que seria trocada por números, foi embora.


Quando Cláudio se deu conta, ela já estava longe. O garoto bem que tentou reatar o namoro, pensando ser apenas uma briguinha passageira.


−Mas a namorada disse: estou cansada de ser sempre trocada pelos números; você só pensa neles; pensa mais neles do que em mim.


O namoro acabou. Cláudio aceitou o fato, ela estava completamente certa. Porém, abandonar os números, jamais. Pela rua, seguiu o garoto, calculando.

6 comentários:

KêDy disse...

assim seu fim de calculos insomaveis a vida
uma amor

amei o enredo e desnvoltura do texto sem um foco obvio

Camila :) disse...

kkkkkk aain numeros e maais numeros, teenhu mania de contar tudo HAHUHUAHUA


bejoos

Vanessa disse...

Belo conto!

Thyago David. disse...

O namoro acabou e a contagem continuou.

hsauhsaihaiuhsaius

Beijos;

Kari disse...

Interessante!
Conheço quem não trocaria as palavras por nada... Assim como o Cláudio...

Abraços!

Marcela' disse...

Se fazia parte dele, melhor assim.
Baci!