terça-feira, 25 de agosto de 2009

De repente além de amizade

Abre a porta da sala. E com toda vontade a convida para sair. Ela aceita, queria mesmo. Os dois saem de carro rumo à casa de uma amiga. No caminho, entre papos, ele fez-lhe entender que gostaria de algo mais que amizade. Ela fingiu não entender ; demonstrou-lhe insegurança. Ele reafirmou suas intenções. Ela teve certeza. Chegaram ao destino. Vamos, ela disse. Espere, ele suspirou. Sim, respondeu. É...balbuciou, timidamente: eu estou a fim de você faz um tempão. O rosto dela corou-se instantaneamente. O coração disparou e o nervosismo foi impossível não transparecer. E eu sei que você também quer, completou ele. Aconteceu. A amizade evoluiu. Eles se beijaram. Curtiram-se bastante com aval positivo de ambas partes para um novo encontro. Ela só não sabe como olhará para ele novamente depois de tê-lo beijado.

sábado, 15 de agosto de 2009

Visão de águia

Sinceramente, pensei que seria mais difícil reagir. Que não teria forças para suportar. Que o quarto escuro seria o meu lugar. De fato, não compreendo de onde vieram a força, a maturidade, a coragem. Não sei. Mas a elas me agarro neste momento em que minha retina avermelhada já não tem lágrimas a derramar. Talvez eu também não queira; talvez o motivo não mereça; talvez já tenha chorado todas, restando-me apenas o consolo. Resolvi lutar contra tudo que me faça sofrer, por mais necessário e imenso lugar ocupem no coração. Em um só coração não tem relevância. Querer por dois é dar vazão a solidão e a ilusão que só atormentam a alma. Ferem igual a dor física. Mesmo sabendo disso sempre pensei que poderia virar o jogo aos quarenta e três do segundo tempo. Nada. Os passos formaram longos caminhos em lugares nenhum. O querer do outro sobressaiu e aqui estou forte como uma pedreira por fora e feito Maria mole por dentro. Em meio a mais um não busquei razão para um definitivo. Você disse e eu aceitei. Questionar já não é mais o caminho, tentar viver sim. Existia antes de você porque não posso continuar a humilde caminhada entre erros e acertos. Estar longe nunca foi fácil, mas talvez uma ausência definitiva sem ilusão de uma temporária presença, seja melhor. Menos doloroso. Menos covarde. Já não é mais momento para sofrimento; vou erguer a cabeça e visualizar o horizonte assim como a águia.