sábado, 15 de agosto de 2009

Visão de águia

Sinceramente, pensei que seria mais difícil reagir. Que não teria forças para suportar. Que o quarto escuro seria o meu lugar. De fato, não compreendo de onde vieram a força, a maturidade, a coragem. Não sei. Mas a elas me agarro neste momento em que minha retina avermelhada já não tem lágrimas a derramar. Talvez eu também não queira; talvez o motivo não mereça; talvez já tenha chorado todas, restando-me apenas o consolo. Resolvi lutar contra tudo que me faça sofrer, por mais necessário e imenso lugar ocupem no coração. Em um só coração não tem relevância. Querer por dois é dar vazão a solidão e a ilusão que só atormentam a alma. Ferem igual a dor física. Mesmo sabendo disso sempre pensei que poderia virar o jogo aos quarenta e três do segundo tempo. Nada. Os passos formaram longos caminhos em lugares nenhum. O querer do outro sobressaiu e aqui estou forte como uma pedreira por fora e feito Maria mole por dentro. Em meio a mais um não busquei razão para um definitivo. Você disse e eu aceitei. Questionar já não é mais o caminho, tentar viver sim. Existia antes de você porque não posso continuar a humilde caminhada entre erros e acertos. Estar longe nunca foi fácil, mas talvez uma ausência definitiva sem ilusão de uma temporária presença, seja melhor. Menos doloroso. Menos covarde. Já não é mais momento para sofrimento; vou erguer a cabeça e visualizar o horizonte assim como a águia.

3 comentários:

KêDy disse...

Um talves, talves seja o medo de ter certeza....belo texto ...eestou de volta nas leituras...rs como vc está Hariane?
Abçs
boa semana

Kari disse...

Seguir em frente é a melhor opção.
A coragem, a força e a maturidade são resultados da vida... E acredite, eles chegam pelos caminhos mais difíceis, mas nos tornam pessoas melhores.

Beijos

Cadinho RoCo disse...

É sempre bom mantermos o olhar com a cabeça erguida.
Cadinho RoCo