terça-feira, 22 de setembro de 2009

O tempo

O tempo cura tudo, o tempo faz esquecer, tudo digere, tudo gasta. Atreve-se o tempo sustentar as rochas, mas também a decompor corações dilacerados. São instabilidades da vida que insere o ser humano em linhas curvas, fazendo do caminhar um labirinto constante. De todos os instrumentos utilizados o coração permanece insistentemente contra. O tempo trabalha a finco, descobrindo os defeitos, enfastia-lhe o gosto, tira a novidade das coisas. De amor robusto chega a ser velho. As asas do amor crescem, abrem-se os olhos, voa e foge. Nada lhe fere mais.

domingo, 6 de setembro de 2009

As certezas do cotidiano

Se hoje alguém perguntasse a ela, o que você quer? Certamente, diria: ter as certezas necessárias para minha vida. De que vou acordar amanhã quentinha depois de um dia frio embaixo do edredom. De que todos da família estão bem. Sem esquecer os amigos e pessoas queridas. De que o mundo amanhã será bem melhor do que hoje, sem violência, doenças, intrigas, etc. Enfim, certeza de tudo que nunca se tem certeza. Por mais pleonástico que isso possa representar. É assim mesmo, o indivíduo é conflituoso por natureza: adora aventura, mas também não consegue respirar aliviadamente sem alguma certeza. Seja um aumento no salário. A chegada do marido depois do trabalho. Ter o que comer no final do dia. Enfim as certezas do dia-a-dia, que se conectam ao nosso subconsciente automaticamente.