domingo, 20 de dezembro de 2009

Avó – (17/10/2009)

Dói não tê-la mais por perto. Havia me esquecido de como é difícil dizer adeus. Olhar para o quintal de casa e não vê-la regando as flores, que tanto adorava. Seu amor a elas era visível por todos. Palavras não são capazes de expressar a dor sentida na madrugada de sábado. Estava vendo tv na maternidade às 04:30 na recepção quando meu celular tocou. Em princípio, estranhei, ainda mais, ao ver quem era: minha mãe. Disse, rapidamente, que vovó estava muito mal e não haviam conseguido carro para levá-la ao médico. Na hora, fui ao administrador pedir que liberasse a ambulância para buscá-la. Ele, prontamente, atendeu e foi chamar o motorista, que não demorou ao sair de lá comigo. Graças a deus, minha consciência segue tranqüila, pois fiz o possível para que fosse atendida no posto de saúde. Por sorte estava na Maternidade consegui a ambulância para prestar-lhe socorro, mas ao chegar ao posto, o médico a examinou e infelizmente vovó Maria estava morta. Havia acabado de fazer o boletim de atendimento e fui levá-lo. Quando pai e tio Luis chorando vieram dizendo que não teve jeito. Não pude controlar a emoção. Lágrimas rolaram desesperadamente pelo rosto. A morte não é aceita facilmente por ninguém. Meu pai e tios sofreram de quase passar mal. Acreditávamos que teria jeito. Que ela não se despediria de nós naquela noite. Mas o inevitável aconteceu e, com dor no coração, ainda tive que resolver os trâmites do enterro. Já não tenho mais avós. Agora, lembro-me com saudades daqueles olhos azuis cor do céu, aquele corpo em movimento de pele branca como a neve, que me pegava pelo braço e dizia: minha netinha querida como você está gorda. Vovó já não enxergava mais aos 88 anos, apenas sentia o meu braço gordinho e pela voz me reconhecia. O dia se arrastou assim como o sofrimento. Ás 16:00 começa o velório de vovó com flores ao redor e coberta de véu. Novamente lágrimas vêem. Lembrei-me dos momentos felizes, tristes, da comidinha gostosa e besteiras que sempre me dava, muitas vezes escondido da mãe. Não há como controlar o adeus é definitivo. Permanecerá apenas em meu coração. Que saudade!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Era uma vez...

Era uma vez um corpo

Sobre a cama

A boca entreaberta

Desejava um beijo quente

Indecente

Fundo

Úmido

A atração foi imensa

Não pude resistir

“Me” viu nua

Senti fortes calafrios

Sendo apenas sua